O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) manteve a decisão de submeter ao júri uma mulher acusada de matar o companheiro com chumbinho no município de Chupinguaia. Os desembargadores da 2ª Câmara Criminal também preservaram a prisão preventiva da acusada e rejeitaram os questionamentos apresentados pela defesa em relação às provas, mantendo ainda as três qualificadoras para avaliação dos jurados.
A confirmação da decisão da 1ª Vara Criminal de Vilhena ocorreu em sessão eletrônica realizada entre 19 e 23 de outubro de 2026. O julgamento caberá ao Conselho de Sentença, que avaliará as qualificadoras de motivo fútil, uso de veneno e emprego de recurso que dificultou a reação da vítima. Participaram da decisão os desembargadores José Jorge Ribeiro da Luz, Adolfo Theodoro Naujorks e Álvaro Kalix Ferro, relator do recurso registrado sob o número 7011412-98.2025.8.22.0014.
De acordo com o colegiado, os depoimentos colhidos no processo, os exames e os registros de pesquisas feitas pela acusada em celulares sobre os efeitos do veneno fornecem base suficiente para encaminhar o caso ao júri, etapa em que não é exigida certeza absoluta sobre a responsabilidade. A defesa havia solicitado a invalidação de imagens de segurança obtidas pelo filho da vítima e dos exames toxicológicos, além da retirada das qualificadoras e da revogação da prisão preventiva.
O relator rejeitou os pedidos de nulidade, destacando que falhas formais na coleta de provas por particulares não invalidam o material quando este é validado em juízo sem demonstração de prejuízo à defesa. Desta forma, foram preservadas as filmagens e a perícia realizada nos alimentos e no corpo após a exumação. A denúncia aponta que o crime ocorreu em setembro de 2025 e teria sido motivado pela recusa da acusada em aceitar o término do relacionamento, que passava por conflitos intensificados pela intenção de separação manifestada pelo homem.
Conforme a investigação, no dia do fato, a mulher esteve no comércio do companheiro próximo ao horário do almoço, retirou uma marmita do balcão e a levou até a residência dele, situada nos fundos do estabelecimento, momento em que teria adicionado o veneno à comida. Após a refeição, a vítima apresentou vômitos e mal-estar intenso, falecendo poucas horas depois. A substância tóxica foi detectada pela perícia nos restos de comida e no material biológico, e a acusada foi localizada pela polícia em uma fazenda da região após desinstalar um aplicativo de mensagens do celular no dia seguinte ao óbito.

