A Polícia Federal divulgou imagens aéreas das dragas utilizadas na extração ilegal de ouro no rio Madeira, em Porto Velho. A ação ocorreu durante a segunda fase da Operação Nêmesis, realizada em conjunto com o Ibama. Os registros mostram as estruturas em funcionamento no trecho acima da Usina de Jirau, onde foram inutilizadas 20 dragas industriais, avaliadas em mais de R$ 4 milhões cada. A operação também resultou na destruição de 3 rebocadores, uma balsa de diesel, 37 motores industriais de grande porte, 10 motores médios e quatro geradores industriais de grande porte.
Para os investigadores, o porte e o investimento em equipamentos afastam a hipótese de garimpo individual ou rudimentar. A avaliação indica atividade organizada, com capacidade de extração em larga escala. A operação ocorreu aproximadamente 27 km acima da barragem de Jirau, em pontos onde as dragas trabalhavam sem autorização para exploração mineral e sem licença ambiental. Imagens de satélite já identificavam a presença dessas estruturas na região desde abril de 2025, sendo que a fiscalização não atingiu áreas com títulos minerários e licenças ambientais válidos.
Antes da destruição dos equipamentos, as equipes retiraram o mercúrio e outras substâncias nocivas para evitar o lançamento no rio. Foram apreendidos ainda seis celulares, quatro armas de fogo e dois frascos de mercúrio. A inutilização das estruturas foi adotada diante da impossibilidade de removê-las e armazená-las em locais adequados.
A Polícia Federal investiga os responsáveis pelo financiamento da atividade, pelo fornecimento de mercúrio, pela logística do garimpo e pela receptação do ouro extraído ilegalmente. Além dos riscos de contaminação da água e dos peixes pelo mercúrio, a exploração irregular provoca assoreamento e danos às margens do rio Madeira.

